Mamãe, acho que estou


12/05/2008


Mudei de novo

Ôpa, esqueci de avisar aqui, o blog mudou de novo:

http://retalhosdemim.wordpress.com

Beijos!

Escrito por Denise às 14h01
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12/07/2007


Novidade

Mãe nova, blog novo.

Anotem aí e visitem:

http://retalhosde.zip.net

Boa leitura!

Escrito por Denise às 13h38
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10/03/2006


Re-relato

Murilo logo completará seis meses de vida! Parece pouco. Às vezes, muito. Cada vez que penso no dia em que ele nasceu, relembro detalhes e sentimentos que por algum motivo estavam ocultos. Então, resolvi escrever novamente meu relato de parto, este menos compromissado com detalhes técnicos, digamos assim, e mais atento ao coração. Acho mesmo que a cada ano farei esse exercício, muito prazeroso e produtivo.

 

Escrito por Denise às 11h38
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Um parto bem assistido

Várias caligrafias preenchem a carteirinha de pré-natal, felizmente encontrei a tempo a equipe ideal para me acompanhar

Murilo nasceu em 14 de setembro de 2005, às 16h04, depois de duas horas de força de fazer cocô e um tanto de viagem por causa da anestesia, tomada por volta das 12h. As primeiras contrações tinham aparecido 12 horas antes, a chegada à maternidade ocorrera por volta das 6h da manhã e os 8 cm de dilatação foram alcançados em pouco tempo. Mas os últimos dois... esgotaram a minha paciência e puseram por terra a minha determinação em ter um parto natural.

Pedi, implorei, chorei pela injeção. Eu estava cansada e tudo o que queria era um tempo. Seria legal se pudéssemos apertar a tecla Pause durante o trabalho de parto, parar tudo por uns momentos, descansar, comer, fazer xixi e só então retomar as atividades. Seria muito bom. Seria, mas não é assim. Então, como eu não sou de ficar me iludindo, comecei a pensar na minha teimosia, já tão alardeada e criticada por parentes, amigos, inimigos. Se persistisse em meu desejo de parir naturalmente estaria sendo teimosa? No intervalo entre as contrações eu tinha certeza de que não, que eu estava apenas querendo o melhor para mim e para o meu filho. Mas quando o meu ventre se enrijecia, quase se partindo ao meio, eu sabia que era isso mesmo, eu estava sendo teimosa. Por que tudo isso? Para que sentir esse incômodo, se estou no hospital e posso tomar anestesia quando quiser? Lembrei-me da minha cunhada, que pariu dois filhos – um com anestesia local, outro com a peridural. Segundo ela, com anestesia é possível dar à luz uma vez por ano, sem problemas. Ah, se ela pode, por que eu não posso? Estava feito, precisei mesmo tomar a anestesia, porque meu corpo se recusava a dar espaço para o meu filho nascer e este, por conseqüência, não havia descido ainda.

Todos essas imagens sequer passavam pela minha cabeça horas antes. Não preguei os olhos desde que senti as primeiras contrações. Por uma hora permaneci na cama, descansando, então fui para a sala e tentei me deitar no sofá, mas tudo o que eu queria era ficar em pé, andando para lá e para cá ou simplesmente olhando a cidade pela sacada do apartamento. Maridão só foi acordado depois das 4h e até esse momento estava tudo muito bem. Eu estava só, mas não me sentia solitária. Até hoje, se fechar os olhos consigo enxergar a paisagem noturna, sei bem quais luzes se apagaram com o andar dos ponteiros e outras que se acenderam, com movimento de gente indo trabalhar. Cheguei a imaginar que em uma daquelas janelas poderia haver outra mulher em trabalho de parto. Será?

Tinha certeza de que estava tudo sob controle. Enquanto esse sentimento predominou, tudo continuou mesmo sob controle! Mas então... resolvi acordar Lucio, meu companheiro há dez anos, porque estava muito feliz e queria dividir com ele essa felicidade. Ele se levantou tão atordoado que mal sabia o que fazer. Zanzou da cozinha à sala, da sala ao quarto, do quarto ao banheiro, até encontrar seu rumo. Ligou para a médica (Dra. Andréa), para a doula (Ana Cris) e saímos em direção à maternidade.

Andar de carro em trabalho de parto é muito ruim. Esse é o segundo ponto de que me arrependo. O primeiro foi ter acordado o maridão tão cedo – poderia tê-lo deixado na cama por mais uma hora ou duas, porque eu estava absolutamente tranqüila. Enfim, o percurso foi longo tanto para mim quanto para o marido motorista – que sofreu o conflito entre atender aos meus pedidos para ir devagar (quando estávamos a 40 km/h) e o desejo ardente de pisar no acelerador, como se isso fosse trazer nosso filho ao mundo de maneira mais rápida. Foram os 40 ou 50 minutos mais longos de nossas vidas!

O que veio depois eu já contei. Mas vale acrescentar alguns detalhes importantes. Meu filho nasceu ótimo, após 41 semanas e 3 dias de gestação e um descolamento de membranas no dia anterior. Ainda que anestesiada, senti muito bem o seu nascimento, quando ele estendeu seu pescoço e escorregou para fora do meu corpo, vindo diretamente para as minhas mãos. Então, tive muita vontade de proteger aquela criaturinha linda e foi o que fiz. Aconcheguei o bebê no meu colo e pude ver quando ele abriu os olhos pela primeira vez. Disse "meu filho, você é como eu imaginava!" e ele começou a chorar (juro que quis dizer que ele é tão lindo quanto eu sonhara). Só parou quando a doula abaixou a minha camisola e o coloquei contra o peito. Ficamos assim, pele com pele, um olhando para o outro. Então, uma voz chamou a nossa atenção – era o Lucio. Eu e Murilo olhamos para ele e nós três nos vimos, um nos olhos do outro, como uma nova família. "Que emoção!", disse o novo papai. Eu só pude concordar. Foi o evento mais maravilhoso da minha vida.

Veio, então, o terceiro momento de que me arrependo nessa história. Lucio cortou o cordão umbilical e meu filho foi logo seqüestrado do meu colo. De imediato não me dei conta do que aconteceu – Murilo tinha enchido meus braços de cocô e eu estava me limpando. Mas Lucio viu muito bem o quanto judiaram do nosso bebê, aspirando suas vias aéreas, pingando colírio (ainda que não fosse nitrato de prata), aplicando uma injeção. Ele viu o quanto o pequeno chorou, já nos primeiros momentos de sua vida. Isso foi muito ruim e se tivesse consciência de que seria dessa maneira, teria feito (outro) empréstimo para bancar também uma neonatologista menos sádica.

Apesar desses arrependimentos, vivi a experiência do parto de uma maneira muito positiva. Murilo veio para os meus braços já de boca aberta, pronto para mamar! Tê-lo ao peito, sugando um pouquinho de mim, é uma sensação incrível, que me faz refletir bastante a respeito de instinto, vínculo e doação. Quase todos os dias penso nessa grande aventura e sinto que aos poucos me transformo em uma nova pessoa, cada vez mais mãe e cada vez mais mulher.

Escrito por Denise às 11h34
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28/11/2005


Enfim...

Murilo está com 2 meses e meio, bochechas rosadas e cada vez mais redondas! Papai e mamãe continuam babando em cima do pimpolho e o tempo está cada vez mais escasso, porque a dedicação ao pequeno é em tempo integral. Ainda assim, consegui terminar uma apresentação sobre o parto, acesse aí: http://noticiasdafamilia.vilabol.uol.com.br/Murilo.swf

Com muita tristeza, devo reconhecer que está cada vez mais difícil escrever neste blog. Então, não mais me comprometo a atualizá-lo. Em contrapartida, estou pensando seriamente em enviar uma parte das baboseiras que publiquei aqui para alguma editora louca o suficiente para editar um livro. Alguém aí quer ser meu agente?

Muito obrigada pelo carinho e um beijão a todos!

Escrito por Denise às 20h15
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09/10/2005


Pensando com os meus botões

Gosto muito de pensar sobre o parto e sobre como trouxe meu filho ao mundo. Sinto-me muito feliz e satisfeita por poder dizer isso: eu trouxe meu filho ao mundo. Pode parecer bobagem, mas faz uma baita diferença. Ele não foi tirado de dentro de mim, não foi arrancado da minha barriga por um corte. Ele simplesmente nasceu!

Enxergar a bela simplicidade dos eventos da natureza requer bastante esforço, que poucas pessoas estão dispostas a empreender. Mas carrego dentro de mim esse desejo, provavelmente como uma semente plantada por meus pais – que, mesmo vivendo na cidade, nunca deixaram de apreciar os detalhes sutis do verde das plantas, do azul do céu e do mar, do amarelo do sol...

Assim, fiquei pasma quando li sobre a episiotomia como procedimento de rotina em partos. Cortar minhas partes íntimas? De jeito nenhum! Pensei que minha avó, em seus inúmeros partos na fazenda, provavelmente não passou por isso. Então, por que eu teria de sofrer tal mutilação?

Comecei a ler desesperadamente sobre o assunto. Sempre fui CDF e isso ajudou bastante (um dia isso tinha de servir para alguma coisa), estudei informações diversas sobre gravidez e parto até descobrir o que eu já intuía: toda mulher é capaz de dar à luz naturalmente.

E foi quase assim. Murilo nasceu em um hospital, depois de eu sentir contrações por algumas horas, tomar anestesia e ocitocina. Eu estava plugada a alguns aparelhos de monitoramento (que mais atrapalharam do que ajudaram) e vestia uma camisola horrível. Em contrapartida, passei por todo o trabalho de parto, fiz força para parir, vi meu pequeno saindo de mim e o amparei assim que ele nasceu – literalmente. Foi a maior emoção que eu já vivi.

Foi também uma preparação para o que viria a seguir. Logo que peguei Murilo nos braços, disse “oi, meu filho”. Estava selado, então, o fim da minha vida como filha. Foi ali, com o meu nenê nos braços, que eu entendi: agora sou mãe. Os nove meses de gestação, de intensa preparação para a maternidade, só fizeram sentido depois de eu viver a experiência do parto – a meu ver, um rito de passagem repleto de simbolismos. Eu me abri para a chegada de um novo ser, dando à luz três novas vidas: mamãe Denise, papai Lucio e filho Murilo.

Escrito por Denise às 10h34
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30/09/2005


Agradecimentos

Visitantes, obrigada mais uma vez pelo carinho!

Infelizmente é preciso ler o relato do parto de baixo para cima, porque existe um limite de tamanho da mensagem... Vamos lá, ânimo, comecem de "Três novas vidas - Parte I" e subam até aqui!

Escrito por Denise às 18h31
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Três novas vidas - Parte III

Há tempos já não enxergava o que se passava ao meu redor. Via apenas a médica, o Lucio e o meu filho pelo espelho. Quando finalmente o peguei no colo, então, passei a outra dimensão. Logo o Lucio veio ao meu lado e começou a falar com o bebê, que abriu os olhos e procurou aquela voz conhecida. Não há como descrever o que se sente nesse momento. Tudo, absolutamente tudo fica para trás.

O Lucio cortou o cordão umbilical, o que muito nos emocionou. O que veio depois ficou registrado na minha memória de forma um pouco nebulosa. A placenta saiu, eu a vi e a achei enorme (mas pelo visto não era das maiores). O bebê foi tirado dos meus braços e percebi que ele havia feito cocô em mim! Foi uma bela cagada. O Lucio me disse, mais tarde, que seguiu o pediatra (responsável pelo seqüestro do pimpolho), viu nosso filho ser aspirado e examinado, além de receber as gotinhas de colírio de praxe. Ele não precisava de nada disso, mas assim foi feito.

Logo o bebê estava de volta, enrolado em um pano e com uma touquinha branca. Fiquei com ele enquanto a Dra. Andréa me examinava e me “costurava”. Não foi feito um corte sistemático (a famigerada episiotomia) e as lacerações foram todas superficiais. Naquele momento, nem me importei com isso.

Quando as enfermeiras finalmente estavam tirando todos os tubos e aparelhos que haviam conectado a mim, passei um pouco mal. Só tive tempo de dizer “acho que eu estou com um pouco de tontura”. E na piscada seguinte eu já estava deitada de novo, com uma delas ao meu lado. Felizmente o Lucio estava lá, com o bebê no colo, no maior papo com ele. A visão dos dois me tranqüilizou, mas tive de permanecer deitada. A pressão havia caído e eu perdera bastante sangue durante o parto. Ainda assim, isso pouco interferiu na minha alegria. Logo fomos para o quarto, o Lucio foi acompanhar o bebê ao berçário, fotografou seu primeiro banho, ficou babando pelo vidro até que finalmente ele viesse para nossos braços. Exaustos, dormimos todos em um instante. E acordamos no dia seguinte como uma nova família.

 

Pós-parto

Para minha surpresa, as únicas coisas que me incomodaram após o parto foram a hemorróida (que já se apresentara durante a gravidez) e o local onde fora aplicada a anestesia, que ficou inchado e dolorido. Obviamente “a periquita” também ficou sensível, mas nada que uma compressa de gelo não aliviasse. Ademais, antes mesmo de receber alta do hospital isso já estava resolvido. Os pontos ainda não foram reabsorvidos, mas não incomodam, e passada a tontura descrita anteriormente, movimento-me sem qualquer dificuldade. Viva a natureza!

Escrito por Denise às 18h31
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Três novas vidas - Parte II

Depois de perambular feito uma barata tonta do quarto à sala e da sala ao banheiro, o Lucio finalmente achou seu caminho, arrumou sua mala como pôde e nós saímos para a maternidade. Durante o caminho, tudo o que eu dizia era “vai mais devagar, mais devagar”! E ele, como me disse mais tarde, sentia uma vontade enorme de acelerar ao máximo, no percurso mais longo de sua vida.

Felizmente a Ana Cris logo veio me encontrar, seu rosto familiar e sempre tranqüilizador me deu muita segurança. Estava com 6 cm de dilatação, o que me surpreendeu e alegrou bastante. “Metade já foi”, pensei, “acho que não vai demorar muito”. Ah, ledo engano!

Fiquei no chuveiro, em pé, durante um bom tempo. Quando passei por novo exame, estava com 8 cm. “Puxa vida, só?”, decepcionei-me. Mas não fiquei muito tempo pensando nisso, pois as contrações estavam ficando intensas e eu não conseguia mais relaxar nos intervalos, cada vez mais curtos.

Nem sei ao certo quanto tempo se passou, a certa altura eu não estava mais no meu controle. Agarrava-me no Lucio, chorava feito criança, resmungando “tá doeeeeeeno”. Dizem que durante o parto questões mal resolvidas com a mãe ou com o marido às vezes afloram. No meu caso, vieram à tona sentimentos e comportamentos infantis, fazendo com que eu recusasse até mesmo umas gotinhas de homeopatia oferecidas pela doula: “eu não vou tomar”, disse, fazendo beicinho. Fico imaginando o que teria acontecido se minha mãe aparecesse lá e me repreendesse “fica quieta, menina, e termina logo com isso”. Será que funcionaria?

Estourar a bolsa, quando eu já estava há tempos na piscininha inflável, não resolveu. Para ser sincera, acho que nada mais resolveria, porque eu estava tomada pela dor. No intervalo entre as contrações, sentia muita pressão no ventre e na região lombar, o que era irritante. Assim, relaxar tornava-se impossível. Comecei a pedir algo que aliviasse essa sensação. Lucio, sempre muito carinhoso, dizia baixinho que eu era forte e que agüentaria sem analgesia. De tempos em tempos, alguém aparecia na porta do banheiro para me dizer que estava acabando, que faltava só mais um pouquinho. Então eu comecei a ficar brava, “faz muito tempo que falta só mais um pouquinho”... Não tinha mais jeito. Fui para a cama, colocaram umas cintas muito apertadas e incômodas em mim, para monitorar as contrações e os batimentos cardíacos do bebê. Era o primeiro passo para a analgesia.

A partir daí as contrações foram ficando cada vez mais fortes, em intervalos que pareciam cada vez mais curtos. Sentia que elas não estavam de acordo com as demais “variáveis” – e eu estava certa, pois ainda não saíra dos 8 cm de dilatação, o colo ainda não estava totalmente apagado e o bebê ainda estava alto. Não sei quanto tempo se passou até que a analgesia finalmente fosse aplicada, para mim pareceu uma eternidade. Cheguei a perguntar algumas vezes “cadê o anestesista?”, achando que estavam me enganando. Mas ela enfim apareceu, fazendo um questionário imenso, ao qual eu não tinha a menor vontade de responder. Diante do meu silêncio, ela chegou a perguntar se eu falava português! Tive vontade de soltar “falo sim, pqp”, felizmente tudo o que saiu da minha boca foi (mais) um gemido.

Tomei a dita cuja, deitei-me na cama e fiquei lá, quietinha, completamente grogue, só curtindo o efeito da droga. Não queria saber de mais nada, estava cansada. Ao meu redor, as coisas pareciam acontecer em câmera lenta. Mas já era meio-dia (ou até mais!) e as pessoas começaram a se movimentar para almoçar. A certa altura, até o Lucio saiu. E demorou muito para voltar, o que estava me deixando apreensiva. Depois ele me contou que fora até o shopping e comera uma baita feijoada!

Dois exames de toque mais tarde, a Dra. Andréa decidiu que já estava na hora de eu começar a fazer força. Eram aproximadamente 14h. Fiquei deitada por uns instantes, depois sentaram-me na banqueta de parto, sobre a cama. É muito esquisito fazer força com uma parte do corpo que você não sente. Mas assim os minutos se arrastaram. Como as contrações estavam muito espaçadas, precisei de um pouquinho de oxitocina. E as coisas foram evoluindo bem devagarinho, o bebê parecia estar com preguiça de nascer.

Quando ele finalmente coroou, pude passar os dedos em sua cabeça, o que me deixou muito emocionada. Vi seus cabelos no espelho e pensei “vamos nascer, meu filho!”. A essa altura, eu já sentia as contrações novamente e tinha total sensibilidade do “anel de fogo”. Essa expressão é perfeita: sentia dor por causa da pele que se esticava, mas a percepção maior era de queimação na região. Além disso, a emoção de saber que o bebê já está para nascer suplanta qualquer sensação desagradável. Então, fiz força como nunca, fechei os olhos e, quando os abri, ele já tinha nascido. Peguei-o no colo, olhei para o seu rosto, abracei-o. Eu nem consegui chorar, de tão emocionada que fiquei.

Escrito por Denise às 18h30
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Três novas vidas - parte I

Estou cansada, muito cansada. Mas agora carrego dentro do peito algo tão gigantesco que supera qualquer outro sentimento. Isso porque sou mãe há nove* dias.

Lucio, meu marido, nunca escondeu sua enorme vontade de ser pai. Mesmo quando ainda namorávamos, ele comemorava cada vez que a menstruação atrasava e decepcionava-se quando eu, aliviada, dizia que “tinha descido”. Até que, no ano passado, em mais um desses episódios, eu senti um frio na barriga ao pensar “será?”. E vi-me em lágrimas ao perceber o fluxo menstrual algumas semanas mais tarde. O “susto” fez com que eu acordasse: eu descobri que queria ser mãe.

Pouco tempo depois engravidamos. Juntos, eu e o Lucio curtimos cada momento da gestação. Cuidamos da alimentação, acordamos cedo todos os sábados para praticar yoga e decidimos, já no último trimestre, procurar uma assistência mais profissional e humana, mesmo que isso significasse economizar em mimos para o bebê. Foi a melhor escolha que poderíamos ter feito.

Com o apoio da Dra. Andréa, da doula Ana Cris e da lista de discussão virtual Materna SP chegamos até a 40ª semana de gestação. Lucio, não dispondo do privilégio da licença antecipada, teve de ouvir muitos diagnósticos, conselhos e questionamentos, o que fez crescer sua ansiedade. Veio o feriado de 7 de setembro, nossa médica foi viajar, prometendo que viria o mais rápido possível caso o nenê decidisse nascer. Nós ficamos na expectativa, eu me senti bastante insegura nesses dias. Quando completamos 41 semanas ela já estava de volta, que alivio! Então, vieram umas contrações bem diferentes das de Braxton-Hicks, um pouco doloridas. Mas ainda estavam espaçadas demais e, mais tarde, pararam totalmente. O jeito era esperar. Dois dias depois, a Dra. Andréa realizou o descolamento da membrana, na expectativa de que, assim, eu entraria em trabalho de parto. Dito e feito!

Como fazia todos os dias, esperei o Lucio chegar do cursinho e conversamos um pouco na cama. Assim que eu apaguei a luz, à meia-noite, comecei a sentir as contrações. Temendo que fosse mais um alarme falso, fiquei bem quietinha na cama, dormindo entre uma contração e outra. Não sei se pela ansiedade ou pelo incômodo, à 1h já não agüentava mais ficar deitada e fui para a sala. Fiquei andando para lá e para cá no nosso apartamento gigantesco, que pode ser atravessado com menos de dez passos. Assim fiquei até as 4h da madrugada, quando as contrações já estavam relativamente fortes e freqüentes. Chamei o Lucio, pedi a ele que ligasse para a Dra. Andréa. Eu estava assustada e ao mesmo tempo muito empolgada – meu filho estava chegando!

Escrito por Denise às 18h29
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21/09/2005


Recadinhos

Muuuuito obrigada a todos pelo carinho, especialmente ao pessoal do fórum do Garotas que Dizem Ni!

Acabei me esquecendo de contar que Murilo nasceu de parto normal às 16h04 do dia 14 de setembro. Ou seja, hoje completou uma semaninha de vida! Estamos bem e felizes, apenas nos adaptando um ao outro. Peço que retornem com certa freqüência, porque assim que puder (d)escreverei o parto e toda a emoção que senti nesse momento tão lindo.

Beijos mil!

Escrito por Denise às 18h08
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19/09/2005


Modelo

A carreira internacional o aguarda!

Escrito por Denise às 18h36
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Enfim

Foram 41 semanas e 3 dias de espera, mas ele finalmente chegou!

51 centímetros e 3,6 kg de pura fofura

Papai e mamãe estão bem, babando como nunca. E bocejando o dia inteiro também!

Em breve colocarei o relato do parto e tudo o mais. Muito obrigada por todas as visitas!

Escrito por Denise às 18h34
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08/09/2005


Preferências...

Hoje recebi uma missão: ir ao banco para pagar uma taxa. Tinha de ser lá, não podia recorrer à Internet nem ao caixa eletrônico. Precisava da tal autenticação da maquininha. Então, lá fui eu, munida de coragem, dois casacos e um barrigão, certa de que contaria com atendimento diferenciado.

Minha expectativa foi atendida. Recebi mesmo um tratamento diferenciado: especialmente ruim. A placa que antes me fazia suspirar por uma barriga ou uma criança de colo, sinônimo de fila curta e de pouca espera, mais parecia uma piada, com os dizeres "Atendimento prioritário a idosos, gestantes, lactantes e deficientes físicos".

Fiquei me perguntando que raio de atendimento preferencial pode ser proporcionado por apenas duas funcionárias a uma fila imensa, cheia de velhinhos. Nada contra aqueles que já passaram da sexta década de vida, mas em geral, eles apenas pagam a conta de luz (em dinheiro). E voltam no dia seguinte, desta vez para acertar a conta de água. Realizar tais transações na lotérica ou no supermercado, nem pensar!

Essa cena se repetiu até que finalmente chegasse a minha vez. Nem teve graça! Depois de tanto tempo em pé, mal levei dois minutos para conseguir a inscrição da maquininha na minha ficha. E ainda tive tempo de falar "bom dia" e "obrigada".

A conclusão: atendimento prioritário (ou preferencial ou diferenciado, tanto faz) pode ter significados variados. Eu desejava sair da agência o mais rápido possível. Os desapressados, maioria na fila, esperavam trocar dois dedinhos de prosa com a mocinha do caixa. Então, o banco acertou na escalação das funcionárias. E eu, errei de banco.

Escrito por Denise às 20h50
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07/09/2005


Data tão festiva

Feriado é sempre feriado, mesmo que caia no meio da semana, por permitir um dia de folga do serviço. Nada de trânsito logo cedo, nada de estresse com chefes rabugentos, nada de perguntas impertinentes de colegas intrometidos. Um verdadeiro bálsamo!

A não ser, claro, que você já esteja de folga, como eu. Aguardo ansiosamente pelo meu pequeno, que ainda não deu o menor sinal de que deseja sair do lugar quentinho onde está. Então, encontro-me totalmente fora de órbita! Nunca sei o dia da semana nem o dia do mês e chego a confundir os horários - preparando-me para almoçar às dez da manhã, por exemplo.

Mas não me queixo, não! Comemoro o feriado porque o maridão está em casa - ainda dorme, é verdade, mas ele merece o descanso. E assim que acordar, tenho certeza, terá bom humor e disposição para dar e vender. De preferência, para doar a mim e ao pequeno!

Não planejei nada especial para o dia, desde que entrei na 38ª semana de gestação isso ficou muito difícil. Sempre preciso acrescentar ao fim da frase "isso SE o Murilo não resolver dar as caras". Então, percebi a diversão que existe em viver cada minutinho do dia por vez, sem me preocupar muito com os afazeres e com os compromissos que antes pareciam inadiáveis. Agora tudo pode esperar! Finalmente me vejo independente da agenda!

Escrito por Denise às 09h31
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Eu apóio a humanização do nascimento!